O CANTO NEGRO e a boa parceria
Também temos o prazer em divulgar...
"Hadithi Njoo" significa "história vem" ou "que venha a história". É uma expressão em suaíle (swahili / kiswahili) utilizada no leste africano - Quênia, Uganda, Tanzânia, Congo - por contadores tradicionais quando iniciam suas intervenções: hadithi, hadithi, hadithi njoo! ("história, história", eles dizem, "que venha a história", responde o público)
A parteira e o djim
sábado, 30 de novembro de 2013
AfroContações + Culinária
Quando tivemos a ideia de misturar Literatura e Culinária não imaginávamos o resultado que atingiríamos. Hoje, podemos dizer que tudo foi muito saboroso!!!
Aproveitar a I Semana de Consciência Negra do CEU 3 Pontes, na zona leste de São Paulo, fizemos a junção dessas 2 manifestações populares e parece que a garotada gostou muito.
HADITHI NJOO em Campinas
Outra grande experiência para nosso Festival de AfroContação de Histórias em seu formato itinerante: estivemos participando do V Sou África em Todos os Sentidos, organizado pelo Jongo Dito Ribeiro e outros tantos parceiros da região campineira. E a Fazenda Roseira continua emanando nossa trajetória em energias positivas para seguirmos acreditando e criando...
Outra grande experiência para nosso Festival de AfroContação de Histórias em seu formato itinerante: estivemos participando do V Sou África em Todos os Sentidos, organizado pelo Jongo Dito Ribeiro e outros tantos parceiros da região campineira. E a Fazenda Roseira continua emanando nossa trajetória em energias positivas para seguirmos acreditando e criando...
"Quando estou com minha gente
piso na tradição, piso na tradição"
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Alguns provérbios...
Os provérbios são jóias da sabedoria popular transmitidas de geração em geração, tão antigas como a experiência humana. Com uma linguagem simbólica ou através de "uma punhalada mortal", se ocultam meditações profundas, valores abstratos...
Seguem alguns vindos de África:
"A um visitante não se julga pelo rosto e sim por seu estômago"
provérbio ila, Zâmbia
"A doçura caminha com a amargura"
provérbio efik, Nigéria
"O valente chora mas suas lágrimas não correm"
provérbio do Congo
"Um bom chefe começa a fazer suas provas dentro de casa"
provérbio kikuyu, Quênia
"Vale mais uma pequena habilidade que muita força"
provérbio ambárico, Etiópia
Os provérbios são jóias da sabedoria popular transmitidas de geração em geração, tão antigas como a experiência humana. Com uma linguagem simbólica ou através de "uma punhalada mortal", se ocultam meditações profundas, valores abstratos...
Seguem alguns vindos de África:
"A um visitante não se julga pelo rosto e sim por seu estômago"
provérbio ila, Zâmbia
"A doçura caminha com a amargura"
provérbio efik, Nigéria
"O valente chora mas suas lágrimas não correm"
provérbio do Congo
"Um bom chefe começa a fazer suas provas dentro de casa"
provérbio kikuyu, Quênia
"Vale mais uma pequena habilidade que muita força"
provérbio ambárico, Etiópia
Contações que se revelam
Durante o Revelando São Paulo que ocorreu em setembro na capital paulista, havia um espaço dedicado às narrativas orais. Era o 3º Encontro de Contadores de Histórias de Culturas Tradicionais. Foi organizado por Débora Kikuti, que participou da primeira edição do HADITHI NJOO em agosto 2012, e logicamente não poderíamos deixar de participar.
Durante o Revelando São Paulo que ocorreu em setembro na capital paulista, havia um espaço dedicado às narrativas orais. Era o 3º Encontro de Contadores de Histórias de Culturas Tradicionais. Foi organizado por Débora Kikuti, que participou da primeira edição do HADITHI NJOO em agosto 2012, e logicamente não poderíamos deixar de participar.
A programação completa e outras tantas informações sobre esse indispensável Festival das Culturas Populares Paulistas pode ser visto em http://revelandosaopaulo.org.br/rv/3o-encontro-de-contadores-de-historias-do-revelando-sao-paulo/.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
SEETETELANÉ
Era uma vez um homem
pobre, tão pobre que carecia de família e se alimentava apenas de
ratos silvestres, cujas peles se transformavam em calção curto que
ia até os joelhos e era sua única vestimenta.
Certo dia que saiu para
caçar roedores, logo tropeço num ovo de avestruz. Levou-o para sua
casa e colocou num ninho. Novamente saiu e quando regressou, com fome
e cansado pela dura jornada – já que só havia conseguido caçar 2
miseráveis ratos – encontrou a mesa arrumada e, sobre ela, um
apetitoso bolo de farinha de painço e carne de cordeiro. Assombrado,
exclamou:
- Casei-me sem
saber? Esta comida, sem dúvida nenhuma, é obra de uma mulher. E
onde está essa cozinheira?
Naquele momento, se
abriu o ovo de avestruz que recolheu e saiu dele uma donzela
belíssima.
- Meu nome é
Seetetelané, dizia ela com a voz doce, e permanecerei ao seu lado
até que, num instante de embriaguez, me chame filha do ovo de
avestruz. Se o fizer, sumirei e não voltará a me ver nunca.
O caçador de ratões
selvagens prometeu não se embriagar em sua vida e, durante várias
dias, desfrutou de uma existência maravilhosa em companhia de sua
bela esposa, que lhe narrava contos fantásticos e cozinhava pratos
especiais.
Um dia vendo, que ele
estava aborrecido, a jovem disse:
- Gostaria de se
transformar no chefe da aldeia e ter súditos, animais e serviçais?
- Seria capaz de me
proporcionar isso? Perguntou ele sem acreditar muito.
Seetetelané sorrio.
Em um segundo, deu um pontapé no solo e a terra se abriu surgindo
uma caravana de súditos com camelos, cavalos, mulas, carneiros e
cabras, assim como grande número de homens e mulheres que, de
imediato, começaram a aclamar o caçador de ratos, gritando com
muita energia:
-Viva nosso chefe!
Viva nosso chefe!
O homem beliscava as
bochechas para se convencer de que não era um sonho. Seetetelané,
sorrindo, fez com que se olhasse no reflexo das águas de um riacho
e entãoele se deu conta que estava jovem e formoso e que seu calção
de pele de roedores havia se transformando num riquissímo vestido
de pele de chacal de pelos largos e que protegia muito.
Quando voltaram à
palhoça, esta havia se transformando numa casa de pedra e madeira
com 4 cômodos e seu quarto estava cheio de peles de pantera, zebra,
chacal e leão.
O caçador de ratos
estava a ponto de desmaiar ao ver tanta riqueza. Durante 2 semanas
se portou como um verdadeiro chefe, fazendo justiça entre os seus e
dando exemplos de sabedoria; ensinando a todos a trabalhar a terra,
a caçar e a erguer casas de troncos e folhas. Mas uma noite, foi
feita uma festa para celebrar o nascimento de um menino e o esposo
de Seetetelané não conseguiu controlar a tentação e acabou
bebendo.
Depois de haver
tragado 4 copos de milho fermentado, os olhos enturvaram, a língua
se soltou e assim começou a insultar os pais de família que
estavam na reunião.
Seetetelané,
decepcionada, quis que ele recobrasse a razão. Mas ele lhe deu um
empurrão e disse com voz pastosa de bêbado:
- Saia da minha
frente, miserável filha de um ovo de avestruz!
Aquela noite, o bêbado
sentiu frio. Se levantou para buscar uma pele de chacal e não
encontrou nenhuma. Saiu a porta para chamar um súdito e percebeu
que retornara a sua antiga habitação, tottalmente só e vestido
com seu calção de pele de ratos selvagens.
O bem estar desfrutado
durante aquelas semanas fez dele um homem menos resistente a
temperaturas rigorosas. Também bastante preguiçoso. Morreu poucos
dias depois de fome e de frio, mais sozinho que um doente
contagioso, praguejando até o último suspiro sua fraqueza em não
resistir à tentação da embriaguez, aquela que causou a sua
desgraça.
Retirado do livro
Cuentos y leyendas populares africanos
Editorial Gente Nueva
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